A um Crucifixo

Ergueste os magros braços
E Clamaste da Cruz: Há Deus! e Olhaste, ó Crente,
O horizonte futuro e Viste, em Tua mente,
Um alvor ideal banhar esses espaços!
Porque morreu sem eco o eco dos Teus passos,
E de Tua palavra (ó Verbo!) o som fremente?
Morreste...ah! não Volvas, que descrente
Arrojarás de novo à campa os membros lassos...
Agora, como então, na mesma terra erma,
A mesma humanidade é sempre a mesma enferma,
Sob o mesmo ermo Céu, frio como um sudário...
E agora, como então, Verás o mundo exangue,
E Ouvirás perguntar: - De que serviu o sangue
Com que Regaste, ó Cristo, as urzes do Calvário?
Antero de Quental 1862
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